
O Canyoning enquadra-se nos Desportos de natureza, que segundo o IPDJ é "aquele cuja prática aproxima o homem da natureza de uma forma saudável e seja enquadrável na gestão das áreas protegidas e numa politica de desenvolvimento sustentável”.
Caracteriza-se esta atividade por progredir no leito de um rio/ribeiro, transpondo os obstáculos verticais apresentados, através de diversas técnicas e equipamentos mais adaptados no mercado para a prática. O caminhar, o nadar, os saltos, são tudo formas de se deslocar num local por si só acidentado, devendo o praticante constantemente avaliar o risco. Outra forma de ultrapassar os obstáculos colocados pelo meio envolvente é o recurso à utilização de manobras com cordas e outros meios auxiliares de segurança para realizar manobras técnicas, sendo o rappel o mais frequente.(Charletty, Gudefin, Hugon, & Beaudon, 2004)
A Ecole Francaise de Descente de Canyon (Canyon, 1999) define o Canyoning como sendo um desporto de risco, estando este ligado ao isolamento do local, dificuldade de acesso e progressão em meios verticais. Juntando a tudo isto, a progressão pode ter a agravante de realizar-se em meio aquático, sendo este, a maioria das vezes, águas vivas com todos os seus riscos inerentes.
O Canyoning começou a ser visto pelo grande público na década de 80, com a publicação de Paul Montroue 1980 “les canyons de Sierra de Guarra”. Claro que já os pescadores se aventuravam nos canyons dos Alpes, mesmo os praticantes de Espeleologia praticavam esta modalidade, designando-a como “espeleologia a ceu aberto” (Charletty et al., 2004). O primeiro grande passo, foi dado por Edouard Alfred Martel, conhecido como o pai da espeleologia que realizou a primeira travessia da gruta de Barmabieu, comparada a um Canyoning, em 1888.
O Canyoning nos Alpes continuou a ser procurado por nomes da espeleologia, sendo que em 1977 Pierre Minvielle escreve e edita as primeiras topografias de algum Canyoning da região. (Mao, 2003).
Em Portugal, esta modalidade tem os seus inícios nos finais dos anos 80, com a exploração dos primeiros rios/ribeiros no Gerês. Estes primeiros passos foram realizado por pessoas da escalada e alpinismo, que começaram a ouvir histórias dos Alpes sobre a modalidade de Canyoning, e começaram a aplicar as técnicas desenvolvidas e assimiladas em anos de experiência acumulada no montanhismo.
Sendo relativamente recente, com já grande impacto em países como a França, Espanha, Austrália, mas ainda com poucos praticantes em Portugal, segundo a Federação Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP), ronda os 233 praticantes. No entanto, é notório, quer pela nossa experiência enquanto praticantes, quer pelo número de empresas de Desporto Aventura que oferecem este produto nos seus programas, que desde o ano 2000, o número de praticantes nos rios de Portugal é cada vez maior. Mesmo que não haja estatísticas oficiais sobre o número de praticantes nos rios, as atitudes tomadas por parte de alguns parques naturais, ao limitar o número de desportistas e grupos por dia, mostra uma clara evolução da modalidade e preocupação com a mesma.